quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

A rua Sésamo 40 anos depois






é sempre triste sabermos que o Popas foi deslocalizado para um País de mão-de-obra barata.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Quando é que vamos perceber ...









... que a autoridade dos professores tem que ser por todos respeitada, valorizada, planeada, organizada e por fim agradecida? que sem eles não há futuro? Admite-se que pais queiram pressionar os professores? Direcções escolares que exigem um número mínimo de alunos obrigatoriamente passados?

Não digo isto a propósito da avaliação de professores - uma ideia com a qual estou absolutamente de acordo desde que envolva critérios objectivos, baseados no mérito e assiduidade, e válidos para todos os professores de Norte a Sul do País - mas apenas porque, na minha perspectiva de cidadão, considero que é motivo de vergonha nacional a forma como algumas profissões, a começar nos polícias e a acabar nos docentes, são tratadas.

Países há em que as escolas ainda se dão ao respeito. É começarmos por aí. Por copiarmos os modelos que funcionam (na Holanda por exemplo até uma padeira fala um Inglês melhor que quase todos os políticos e Presidentes de Conselho de Administração que temos). Com humildade, trabalho, sem sindicatos ou politiquices baratas.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

E o prémio "o amor acontece" vai para ...




Que nunca fizeram um muro suficientemente duro para oprimir perpetuamente a raça humana






Imagem do soldado Conrad Schumann a fugir para a Alemanha livre numa altura em que o "muro" ainda era feito de arame farpado. 15 Agosto 1961.




Breznev e Honecker. Dois lindos meninos.





Os doutrinadores socialistas haviam jurado que todos ficariam melhor assim. Com aquele muro que calava os pensamentos e vetava a circulação. Um muro que asfixiava e empobrecia. Um muro que roubava cada segundo de cada vida. Que adiava tudo. E sempre em nome de uma visão imposta a todos e que nunca na história dos tempos alguma vez resultara ou viria a resultar.



ou antes

"In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act" George Orwell




Ps- E pensar que tudo começou a acabar com um piquenique entre Húngaros e Austríacos. Aqui.


(eu sempre disse que a realidade é mais estranha do que a ficção)

domingo, 8 de Novembro de 2009

Detective Garcia, o gato ladra e o cão mia: Quem tramou o Noddy?




Limpava a Smith & Wesson com os pés em cima da minha secretária quando a minha assistente, a sempre pronunciada Pussy Maure, parou de limpar as unhas e entrou de rompante pelo meu gabinete.

- Detective Garcia, já está na hora de brincarmos aos "polícias e ladrões"? Desta vez quero fazer de Leonor Cipriano...

Era bronca como uma porta mas eu gostava dela assim.

- Hoje não, Pussy. Acabei de ler os desportivos. Tramaram o Noddy. Tenho que ir ver o que se passa.



Sai à rua e prontamente dei um golo no meu cantil de Bushmills. Afinal de contas tinha um encontro marcado com o Soares Franco, e nestas coisas é importante entrar no ritmo. Quando cheguei ao bar onde tínhamos combinado, já “muita água tinha passado debaixo da ponte”. Demasiada, na verdade, e de água propriamente dita tinha pouco. Via-se que havia sido um dia difícil. Depois de meia dúzia de balelas sobre scones e golf, decidi atalhar caminho:

- Ouve aqui, Franco. O que eu quero mesmo saber é quem é que tramou o Noddy? – e atirei a fotografia da outrora divertida personagem para cima do balcão.

O grande homem começou a chorar como uma criança. Não se percebia nada do que dizia. Balbuciava “números da dívida”, “negócios imobiliários falhados”, de como o Taveira os tinha tramado a todos, e acabava sempre as frases com a enigmática palavra “Titanic” ... Resolvi dar corda aos sapatos que aquilo parecia um fado do João Braga. Cheirava a desgraça mas não se percebia exactamente porquê.

Faltavam pistas e sobravam dúvidas. Mas ninguém passa a perna ao velho detective Garcia. Tinha descoberto pela CNN que nas montanhas de Alvalade vivia um fundamentalista da causa... o Dr. Dias Ferreira. 



Seguramente que aí conseguiria obter mais informações. Contudo, quando me encontrava à porta da caverna, o Dr. Dias Ferreira mandou anunciar pela criada que estava a rever a cassete Beta com a vitória dos 7-1 sobre o Benfica (época 1986/87) e que não tinha tempo para enviados do Jesus.

Perguntei à simpática mensageira se era frequente o eremita reagir assim, ao que ela me disse em tom de confidência:

- O Dr. anda muito estranho. Desde o empate em Alvalade com o Venstspills que o Dr passa o dia a repetir "o Benfica é merda!", "o Benfica é merda!"... "que fique claro que o Benfica é merda!".

Admito que fiquei intrigado. O que é que o Benfica teria a ver com a queda em desgraça do Noddy? Nada? ...Tudo? 

Cada vez mais questões assaltavam a minha mente de investigador. Era evidente que o pequeno Noddy nunca tivera hipótese. Alguém tramara o pequeno homem do guizo e eu tinha a certeza que era um trabalho de dentro. Senti-me revoltado. Cruel mundo este em que as pessoas não percebem que colocar em campo o Tonel para a posição de avançado no jogo contra a Fiorentina, poderia ter resultado (na Playstation, por exemplo, nunca falha). 

Prometi solenemente que esta era uma investigação que eu não iria largar. E tão compenetrado ía eu nos meus pensamentos, naquela noite de chuva em que regressava ao conforto de peitos amigos, que nem reparei numa parede cheia de grafitis onde se podia ler a palavra "forever". 



Nota: Todas as fotografias foram gentilmente gamadas ao blog Visconde Gay;

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Areia até aos ossos







Gostei muito de ter conhecido o Sahara. Adorei a areia fina que massaja os pés, a luz, a sensação de fim do mundo conhecido, habitado. Se formos com alguém especial pode até ser muito romântico, mas em qualquer circunstância é algo que não se esquece. Nunca estive em lado nenhum que tivesse um silêncio tão puro, nem mesmo o alto mar quando tudo está calmo.

Claro que, como sempre acontece, é preciso um tempo depois das viagens para pensar sobre o que se viu, avaliar, crescer. O Sahara em si não me mudou em nada. Continuo o mesmo sacana egoísta. Mas fiquei a gostar da ideia de imensidão. Não só não me assusta como acho que retempera. Precisamos de perder para apreciar e o deserto tem qualquer coisa que nos transpõe para as caravanas dos tempos do início da humanidade, quando não havia gps e quase tudo era divino.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

O estranho caso de Fortune Chukwudi







Parece que o capitão da selecção nacional de futebol Nigeriana de Sub-17 tem afinal ... e pelo menos ... 25 aninhos. Para ler aqui e aqui.

Eu e o meu pai, quando estamos a ver bola juntos e vemos jogos dos juniores Portugueses, Espanhóis, etc contra a selecção do Gana, Nigéria, Costa do Marfim & Cia bem achamos estranho os pequenotes não ganharem as primeiras bolas, as segundas bolas, as terceiras bolas ... bem, não ganharem bolas nenhumas.

E tudo isto me lembra o caso do Leandro Lima, aquele engraçado jogador que o Fóculporto (esse clube tão transparente) foi buscar aqui há uns 4 anos ao Brasil e que foi apresentado como Leandrinho e mais tarde se veio a saber que era Leandrão ... (aqui)

Hilariante foi quando os jornalistas perguntaram à mãe "afinal em que ano nasceu o Leandrão?" e a própria mãe ter dito que não se lembrava ... claro, claro. Acontece muitas vezes, trazer uma criança no ventre nove meses, trabalho de parto, etc e depois esquecer-se em que ano é que tudo aconteceu. Era mais fácil perguntarem qual tinha sido a década, não é? Pois. Compreendo. Imagino que nem o próprio Pôncio Monteiro conseguisse lavrar uma certidão de nascimento igual àquela.

Porque o melhor do mundo são as crianças. Sempre me disseram.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Porque o pobre estado da nossa Justiça tem uma explicação e um rosto político ...




... e porque nos devemos sempre lembrar que uma justiça ineficaz - a tal que traz imoralidade à sociedade, nos confere uma imagem de País de terceiro mundo, e nos afasta de investimentos estrangeiros e de uma economia competitiva (se eu posso roubar porque é que tenho que trabalhar mais só para ser melhor?) - sempre aproveita a alguém, aqui fica esta pertinente citação de Mário Crespo, muito bem lembrada por este blog:

"(...)estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca."







Ps- em Fevereiro de 2008, quando este blog comecou, fiz este post. Achei engraçado.

And now for something completely different








Este gordo sempre foi um dos meus preferidos. "Para não ser guloso, está a perceber?"

In the end, the biggest drop is on me





Foi só muito tempo depois de ouvir repetidamente, por muitas auto-estradas e estradas nacionais, e desde há muitos anos a música "Hey" dos Pixies, a qual é uma das minhas bandas preferidas de sempre, que descobri algo surpreendente. Aquela música não era parecida com a minha vida. Aquela música era a minha vida, em particular a minha vida amorosa.

Os desencontros, o amar intensamente alguém mas mesmo assim tudo cair, ser amado por quem não amo, estar acorrentado a alguém que não me ama da mesma forma, o inadiável encontro de amores na altura errada da vida, as decisões essenciais que fizeram toda a diferença mas que poderiam ter facilmente sido em sentido oposto. Mas isso é ... "Hey"!





hey 
been trying to meet you
mmmmmm hmmmmm
hey
must be a devil between us
or whores in my head
whores at my door
whore in my bed
but hey
where 
have you
been 
if you go i will surely die
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)

uh said the man to the lady
mmmmmm hmmmm
uh said the lady to the man she adored
and the whores like a choir
go uh all night
and mary ain't you tired of this
uh
is 
the 
sound 
that THE MOTHER MAKES WHEN HER BABY breaks
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Viagens de aventuras para o ano 2010










Porque só aquilo que vemos e respiramos in loco é que entra verdadeiramente dentro de nós, porque o mundo é uma ervilha, porque é enquanto temos saúde e forças que devemos tentar as viagens mais ousadas e finalmente porque os voos e as estadias sempre ficam mais baratos quando marcados com antecedência, vejam este artigo.

E se por acaso forem para a Papua Nova Guiné, pode ser que o gajo a fazer palhaçadas na água e a cantar em registo de fado o "foi um touro que o matoooooou..." até seja assim a dar para o Sacana. 




Ps. Uma das coisas detestáveis na vida dos solteiros é que nada parece feito à nossa medida. Já não bastavam as embalagens com porções industriais de alimentos no super-mercado, como ainda temos que "inchar" montes de suplementos por irmos sozinhos nas viagens.... joder coño joder.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

We need to talk about infertility







Depois da impotência, da homossexualidade e do eterno "a minha sogra é um boi", falar de infertilidade, sobretudo para os homens, é um dos temas mais difíceis que uma relação heterossexual adulta e consequente tem que enfrentar.

Mas há respostas. Aqui. Ou num médico perto de si. E nada me apraz mais do que a ideia de bons e boas sacanas a dedicarem o seu tempo à produção eficaz de pequenos sacanóides, daqueles capazes de semear o pânico desde a maternidade ao lar de terceira idade. You go and make Pulha proud.







Sobre a beleza na Bíblia











Sobre a ignorância de Saramago (para não falar em desrespeito infame perante uma religião de milhões, ou no propósito comercial de vender melhor o seu livrozeco valendo tudo para tal efeito) já Richard Zimler, muito melhor que qualquer outro, escreveu aqui.

Mas este fim-de-semana, enquanto folheava "A leitura infinita" de José Tolentino Mendonça (editado pela Assírio & Alvim), deparei-me com isto. Pareceu-me por demais belo, simples e intemporal.

GEN 29, 17 C - 20

"Raquel era esbelta e de belo rosto. Jacob amava Raquel e disse a Labão "servir-te-ei sete anos por Raquel, a tua filha mais nova". Labão respondeu: "Melhor é dar-ta a ti do que a qualquer outro. Fica em minha casa". E Jacob serviu por Raquel sete anos, que lhe pareceram apenas alguns dias, tanto era o amor que por ela sentia".


Quem ama, serve por quem ama.




PS - Quando regressei a Lisboa (estive a Sul) dei uma olhada na Bíblia para confirmar este trecho. Descobri (eu não tenho qualquer educação religiosa) que não só era exactamente assim, como igualmente que Labão na altura de dar a mão de Raquel a Jacob, exigiu deste sete anos adicionais de trabalho (sob o argumento de que os primeiros sete anos apenas lhe "davam" direito a Lia, a filha mais velha). Mas Jacob, que amava Raquel profundamente, aceitou. E foram felizes.

domingo, 1 de Novembro de 2009

The true Mr. Wolf










É demasiado fácil fazerem-se elogios póstumos. E não poucas vezes cobarde também. "Se a pessoa era assim tão boa porque é que nunca lhe disseram isso enquanto andava por cá?". Touché. Por esses e outros motivos prefiro abster-me de comentar notícias fúnebres.

Sucede todavia que o António Sérgio me acompanhou em muitas noites da minha vida. Tinha uma voz nocturna que soava a Deus. Que nos tocava. Que era intimista. E uma escolha de músicas que realmente se destacava numa rádio Portuguesa tão vendida ao comercial, ao fácil e ao medíocre. Mesmo sabendo que o António Sérgio será recordado por ser visionário, eu gostava especialmente era quando passava blues da velha escola ou rock da pesada, coisas que o tempo se encarregara de arquivar mas que o António sabia que os apreciadores de boas malhas não poderiam deixar de adorar. Eu sempre gostei daqueles que pensam pela sua cabeça e se demarcam das exigências das massas. 

See you around, Wolf.


sábado, 31 de Outubro de 2009

E o prémio "obrigado por teres vindo" vai para ...